Do título

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"Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."
( Dom Casmurro, Machado de Assis, cap. 32 )

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

And so it is...

"Tem hora, falando sério, tem hora em que parece que políticos, elites e otoridades em geral desse nosso pobre paisinho rico estão de sacanagem, fazendo tudo isso que eles fazem não por burrice, preguiça, ganância e mau caráter, mas por algum sério experimento antropo-sociológico. Só pra ver até onde a gente agüenta. Só pra analisar e anotar em seus caderninhos, para futura publicação em livros ou periódicos acadêmicos renomados, até onde a gente vai. Até onde eles podem nos desrespeitar, irritar, roubar, enganar, torturar, e, figurem eles como óbvios incompetentes ou disfarçados de co-vítimas de alguma fatalidade, finalmente nos matar, sem que ofereçamos resistência, ou retaliação, sem que as consequências sejam mais graves que uma jogadinha de cabelo indignada do J'abhorre no Vomitástico, um chiste elegante num bloguinho de direita – ou num de esquerda chique, tanto faz -, um chiliquinho de uma coroa indignada num blog alienado ou uma piadinha sarcástica do garoto prodígio naquela revistinha nojenta ou no programinha mais pretensioso da TV fechada. E o pior é que, pelo jeito, eles podem ir até onde quiserem. No país que se mobiliza pra votar no Cristo Redentor como uma das sete maravilhas do mundo (mesmo que três quartos da população ainda escrevam “maravilia”) ou pra decidir qual oxigenada-siliconada e futura capa da playboi – o I errado no final da palavra é de propósito  - deve ficar ou sair da casa no reality show mais bobo do universo; que busca a segurança pública através de simpatias como vestir branco num determinado dia ou preto em outro, encher o gramado do alvorada de caixõezinhos ou aplaudir o pôr-do-sol,  toda vez que alguma coisa séria de verdade aconteceu, ninguém fez nada, ninguém faz nada, ninguém fará nada. E, igualzinho àquele poema de Eduardo Alves da Costa, erroneamente atribuído ao Mayakovsky , que todo mundo que votou nesses caras que ora mandam – e eles próprios - achava tão lindo publicar em seus jornaizinhos mimeografados e camisetas mal silkadas na época da faculdade ou do ativismo sindical, "como não dissemos nada, já não podemos dizer nada". Calemos, pois. Ou melhor, já que somos um povo tão simpático, falante e alegre, falemos de outra coisa. E o Pan, hem ? Cês viram só as medalhas ?"

Roubado descaradamente do excelente blog (volta, Cíntia) Cin City, do qual não consegui encontrar o link.