Do título

Do título

"Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."
( Dom Casmurro, Machado de Assis, cap. 32 )

sábado, 29 de setembro de 2012

Eternidades da semana

23/09 - Fiquei um ano mais velha e ganhei de presente um começo de primavera loco de especial:


25/09 - Depois de milênios, finalmente assisti ao tal filme do Benjamin Button. Antes que comecem a voar cadeiras vou dizer que raramente gosto de alguma coisa com aquele lá, vocês sabem quem. Não podiam ter colocado o Johnny Depp no papel? Não? Então tá.

27/09 - Júnior Maicá, autor do site O Bairrista, lançou seu segundo livro, O Bairrista - Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra.  Já tenho o primeiro e não vejo a hora de ter o 2. Recomendo.


Começou a nova temporada de Grey's Anatomy, até que enfim, não aguentava mais a curiosidade. E começou muito bem. Aguardando ansiosamente o segundo episódio. Custava ter todo dia, igual novela? Revenge voltou também. Já que fiquei órfã de House, é o que me resta. E claro, assistir pela 3587ª vez a todas as temporadas de Friends.

29/09 - Morre Hebe Camargo. Mais uma que se vai e não deixa substitutos à altura.

Entoces, bom domingo e Wake Me Up When September Ends




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Aviso

Temperatura:

É favor continuar como está!

domingo, 23 de setembro de 2012

Whatever Works (Amém, Woddy Allen)

"Os ensinamentos básicos de Jesus são bem bonitos. E, a propósito, essa era a intenção original de Karl Marx. O que poderia ser ruim? Todos devem compartilhar com igualdade. Fazer pelos outros. Democracia. Governo pelo povo. São ótimas ideias, todas elas. Mas sofrem de uma falha fatal. Todas são baseadas na ideia falaciosa de que as pessoas são, essencialmente, decentes. Dê a elas a chance de fazer o certo e elas o farão. Elas não são estúpidas, egoístas, gananciosas, covardes, mentes pequenas. Fazem o melhor que podem. Só estou dizendo que as pessoas fazem a vida ser bem pior do que é, acredite, é um pesadelo sem a ajuda delas. Mas, no geral, lamento dizer: somos uma espécie fracassada."
(Trecho de um diálogo do filme Whatever Works, de Woody Allen)

O filme é de 2009, depois disso ele já fez outros geniais também, como Midnight in Paris, mas este sempre será meu favorito. Se você ainda não viu, assista porque é ótimo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra!



Ufanismo? Bairrismo? Arrogância? Realmente, quem é de fora do RS geralmente não consegue entender o sentimento que nós, gaúchos temos hoje, que é o nosso 7 de setembro, embora seja o aniversário de uma revolução que servia aos interesses de grandes estancieiros e que empobreceu o estado durante seus dez anos. Mas o que nos identifica com a Revolução Farroupilha é justamente esse sentimento de não pertencer, de ser diferente e de brigar por nossa terra. Hoje, 20 de setembro, celebramos nosso orgulho de sermos gaúchos, nosso amor pelo Rio Grande, orgulho explicado com brilhantismo por Vítor Ramil em seu livro A Estética do Frio (trecho aqui) e que vive em nossos corações hoje e sempre.


Sou enfim, o sabiá que canta,
Alegre, embora sozinho.
Sou gemido do moinho,
Num tom triste que encanta.
Sou pó que se levanta,
Sou raiz, sou sangue, sou verso.
Sou maior que a história grega.
Eu sou Gaúcho, e me chega
P'rá ser feliz no universo.

(Trecho do poema Eis o Homem, de Marco Aurélio Campos)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Crepúsculo

E a chuva continua. O Guri de Uruguaiana informa no twitter que o Noé foi visto na Tumelero da Assis Brasil comprando madeira. E que o desfile de 20 de setembro será com cavalos marinhos e o acampamento passará a se chamar Alagamento Farroupilha. Enquanto isso,  na sala da justiça  já que não dá pra fazer nada, resolvi organizar o computador e encontrei este texto, que escrevi em 2008, perdido numa pasta (este e vários outros, portanto esperem muitas velharias).


Crepúsculo

Porto Alegre, 17hs, Usina do Gasômetro.

Aqui do alto da usina, eu posso vê-lo chegar, majestoso, imponente...
Vai, aos poucos, revelando suas cores, como em um desfile. Tons de laranja, amarelo, azul. Eles se movem, misturam-se, impõem-se uns aos outros, revelam-se, entregam-se. Eu quase posso tocá-las, aqui de cima.
O cenário muda a cada instante, fugaz, como tudo que é sublime, que é intenso. Parecem dançar para mim, uma dança sem pudor. Então, neste ballet nada sincronizado, descem lentamente, como que em despedida e vão, serenamente, repousar nele, no velho Guaíba.
Aqui de cima, em meio aos casais que buscam o espetáculo como pano de fundo para suas paixões, posso ver o movimento das pessoas, dos carros, da vida que não para, que segue sem ver, vistas cansadas.
Posso ver os barcos, as ilhas, o cais do porto, a orla, o anfiteatro, o horizonte, enquanto fico vendo a noite tomar o seu lugar, pensando no dia que passou, na vida que passa, na noite que chega e em mais este pôr-do-sol, o qual jamais virá da mesma forma, jamais se repetirá, em mais este pôr-do-sol que eu não pude dividir, em mais este que passou sem ti.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Eu também vou reclamar*

Não sei vocês, mas o inverno que eu encomendei vinha com 99% dos dias ensolarados (daqueles perfeitos pra comer bergamota no sol) e com temperaturas de apenas um dígito. Com quem eu tenho que falar pra pedir meu dinheiro de volta? Procon, Juizado Especial, Obama?



*Quem lembra dessa música do Raul?

sábado, 15 de setembro de 2012

Cadê você, nave mãe?

Eu quero me mudar pra outro planeta. Que eu quero isso já faz muito tempo, desde que o TNT (ah, anos 80) cantava: "Baby, eu vou morar noutro planeta", mas eu nunca quis tanto como depois que surgiu o Facebook (nada contra o site nem quem usa) e as pessoas passaram a chamá-lo de "Face". Tenho que me controlar pra não ter um ataque cada vez que ouço, principalmente vindo de pessoas com mais de 40 anos. Minha sorte é que quase ninguém me lê, tenho só 19 seguidores (agora provavelmente perdi os 19), então posso desabafar sem que muitas pessoas me atirem latinhas e tomates e ovos podres. Estou ficando velha e chata, eu sei.

Parabéns, Grêmio!


Parabéns, Imortal Tricolor! Que venham mais muitos anos de glórias!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

And so it is...

"Tem hora, falando sério, tem hora em que parece que políticos, elites e otoridades em geral desse nosso pobre paisinho rico estão de sacanagem, fazendo tudo isso que eles fazem não por burrice, preguiça, ganância e mau caráter, mas por algum sério experimento antropo-sociológico. Só pra ver até onde a gente agüenta. Só pra analisar e anotar em seus caderninhos, para futura publicação em livros ou periódicos acadêmicos renomados, até onde a gente vai. Até onde eles podem nos desrespeitar, irritar, roubar, enganar, torturar, e, figurem eles como óbvios incompetentes ou disfarçados de co-vítimas de alguma fatalidade, finalmente nos matar, sem que ofereçamos resistência, ou retaliação, sem que as consequências sejam mais graves que uma jogadinha de cabelo indignada do J'abhorre no Vomitástico, um chiste elegante num bloguinho de direita – ou num de esquerda chique, tanto faz -, um chiliquinho de uma coroa indignada num blog alienado ou uma piadinha sarcástica do garoto prodígio naquela revistinha nojenta ou no programinha mais pretensioso da TV fechada. E o pior é que, pelo jeito, eles podem ir até onde quiserem. No país que se mobiliza pra votar no Cristo Redentor como uma das sete maravilhas do mundo (mesmo que três quartos da população ainda escrevam “maravilia”) ou pra decidir qual oxigenada-siliconada e futura capa da playboi – o I errado no final da palavra é de propósito  - deve ficar ou sair da casa no reality show mais bobo do universo; que busca a segurança pública através de simpatias como vestir branco num determinado dia ou preto em outro, encher o gramado do alvorada de caixõezinhos ou aplaudir o pôr-do-sol,  toda vez que alguma coisa séria de verdade aconteceu, ninguém fez nada, ninguém faz nada, ninguém fará nada. E, igualzinho àquele poema de Eduardo Alves da Costa, erroneamente atribuído ao Mayakovsky , que todo mundo que votou nesses caras que ora mandam – e eles próprios - achava tão lindo publicar em seus jornaizinhos mimeografados e camisetas mal silkadas na época da faculdade ou do ativismo sindical, "como não dissemos nada, já não podemos dizer nada". Calemos, pois. Ou melhor, já que somos um povo tão simpático, falante e alegre, falemos de outra coisa. E o Pan, hem ? Cês viram só as medalhas ?"

Roubado descaradamente do excelente blog (volta, Cíntia) Cin City, do qual não consegui encontrar o link.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Só pra relembrar

Redação:

A gentalha

A gentalha pega ônibus com mochilas que, pelo tamanho, trazem no seu interior todo seu patrimônio e ficam no corredor obstruindo a passagem até de um fio de cabelo. É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que passar num corredor onde tenha um representante da gentalha com sua mochila.

A gentalha usa casacos que fariam um esquimó no Polo Norte se abanar de tanto calor e com capuzes do tamanho da África Meridional, sendo que a temperatura é de 18 graus, ou seja, verão. Os casacos da gentalha são tão grandes que fazem com que a gentalha ocupe mais espaço ainda.

A gentalha, embora esteja num ônibus onde não há oxigênio suficiente nem para a metade das pessoas contidas ali, quente e abafado no último grau, quase se mata para conseguir fechar TO-DA e qualquer janela ou passagem de ar possível, tornando respirar uma utopia.

A gentalha usa casacos sujos e com um suave aroma que é um mix de cheiro de guardado, suor e sujeira, que fica ainda mais evidente, visto que fecharam TO-DAS as janelas.

Quando se pega um ônibus com a gentalha, Murphy, aquele fanfarrão, sempre vigilante, faz a bateria do seu mp3 acabar logo que você adentra o recinto, fazendo com que, horror dos horrores, você também tenha de ouvir a conversa da gentalha.

A gentalha se dá conta que tem de descer dois segundos antes do ônibus parar e ainda está lááááá na frente, o que significa que vão passar correndo como um furacão, com suas mochilas e casacos, levando o resto de dignidade que ainda resta a você.

Portanto, mesmo que esteja chovendo canivetes abertos, que você não tenha guarda-chuva, esteja usando salto 15 e não saiba nadar, enfrente a chuva, pois, embora você não deva fazer isto em lugar algum do planeta, um ônibus é, definitivamente, o pior lugar do mundo para se misturar com a gentalha.

Keep Cooler, ops, Keep Calm

Fal, salvando meu dia. Em breve farei camisetas também com estas:



terça-feira, 4 de setembro de 2012

"Adianta lutar sozinho?" ou "Tua calça de brim tá no arame, vai buscar!"

Pedro – Mãe, o que a gente faz quando não tem mais nada pra fazer?

 Dona Elvira – Não sei...

 Pedro – A gente fica parado..., dorme..., não faz nada... ou faz alguma coisa? (Silêncio.) O mesmo silêncio de sempre, ninguém responde! Por quê?

 Dona Elvira – Filho, o que a gente responde quando não tem mais nada pra responder?

 (Trecho extraído do capítulo 12 do roteiro da peça Bailei na Curva)