Do título

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"Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."
( Dom Casmurro, Machado de Assis, cap. 32 )

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O quarto do poeta

Não há mais como visitar a Casa de Cultura Mário Quintana e ver a réplica do quarto do poeta sem lembrar desta descrição da Isa:


Os papéis amachucados no cesto, a cama por fazer e as beatas apagadas no cinzeiro de vidro quase nos dizem que ele ainda está ali, que saiu apenas para beber um café. Os óculos cuidadosamente colocados em cima da mesa, com as hastes para dentro, dizem-nos que não. Apesar da máquina de escrever e das resmas de papel rascunhado, que jazem em cima da mesa, darem a sensação de terem sido acabadas de preencher.

A luz é ténue, a decoração é de época e não há um mínimo sinal de extravagância. Nem sequer de modernidade.

Foi assim que foi deixado o quarto de Mário Quintana, na Casa de Cultura (ex-Hotel majestic), em Porto Alegre.

O poeta morreu há 6 anos mas a sua presença é sentida naquele quarto, mesmo que não lhe sintamos o cheiro e apenas a imaginação nos permita passar para lá do vidro que nos separa do ambiente em que viveu o escritor, que não faz parte da Academia de Letras Brasileira, nos últimos anos da sua vida.