Do título

Do título

"Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."
( Dom Casmurro, Machado de Assis, cap. 32 )

terça-feira, 21 de junho de 2011

Não deixem de ler!

Maliu arrasa. E mais não digo.

Blog da Maliu

terça-feira, 14 de junho de 2011

domingo, 12 de junho de 2011

O copo tá metade vazio, sim...

"Porque eu me sentia como se estivesse no inferno.
E compará-lo com o inferno de outra pessoa não diminui em nada a dor do meu.
Desculpe a metáfora sanguinolenta, mas, se estão serrando a perna de uma pessoa com uma serra de arco enferrujada, ela não se consola com o fato de que a pessoa na cela ao lado está sendo pregada numa mesa a marteladas."

"Soube então que a vida não respeitava circunstâncias. A força que atira em nós os desastres não diz: "Bem, não darei a ela aquele caroço no seio antes de pelo menos um ano. É melhor deixar que se recupere primeiro da morte da mãe." A vida simplesmente vai em frente e faz o que tem vontade, sempre que tem vontade.
Percebi que ninguém está imune à síndrome do desastre cumulativo."

Trechos do livro Melancia, de Marian Keyes.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Pirlimpimpim


O primeiro de muitos!

Lá nos anos 80, mais precisamente em 83, eu aprendi a ler. E eis que a partir daí eu descobri um mundo novo. Lógico, o mundo da literatura. Passei a ler tudo que via pela frente, na rua, na chuva, na fazenda e numa casinha de sapé. E na biblioteca da minha escola. E foi lá que eu descobri vários tesouros, que foram lidos e relidos à exaustão, mas, sem dúvida, o que me fez ser uma apaixonada e compulsiva por leitura foi a coleção do Monteiro Lobato, aquela que deu origem ao programa Sítio do Pica-Pau Amarelo, que não me agradava justamente por não mostrar o sítio que eu imaginava quando lia, aquele não era o sítio, ora, na minha cabeça ele era totalmente diferente, assim como as personagens.
Eu aprendi história, mitologia, geografia, gramática e mil coisas mais lendo esses livros. Viajei à Grécia antiga mil vezes com o pó de pirlimpimpim, ajudei o Héracles (que ainda não era Hércules) a resolver doze trabalhos, entrei no labirinto do Minotauro, visitei o verbo Ser, enfim, li toda coleção mais de uma vez e sempre quis tê-la só para mim.
E eis que, passeando pelos sebos em um dia ensolarado e frio de junho, na companhia da Carrie, eu vejo toda a coleção lá, numa prateleira, em perfeito estado, esperando por mim. E hoje ela mora aqui, na minha estante, e eu aguardo ter tempo de voltar a aspirar o pó de pirlimpimpim e visitar o sítio e a Grécia novamente, fazendo escala no sofá e ao lado do fogão de lenha da minha casa de infância, onde eu devorava todas aquelas histórias.
Tem como não ser apaixonada por sebos?


O baile todo!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O quarto do poeta

Não há mais como visitar a Casa de Cultura Mário Quintana e ver a réplica do quarto do poeta sem lembrar desta descrição da Isa:


Os papéis amachucados no cesto, a cama por fazer e as beatas apagadas no cinzeiro de vidro quase nos dizem que ele ainda está ali, que saiu apenas para beber um café. Os óculos cuidadosamente colocados em cima da mesa, com as hastes para dentro, dizem-nos que não. Apesar da máquina de escrever e das resmas de papel rascunhado, que jazem em cima da mesa, darem a sensação de terem sido acabadas de preencher.

A luz é ténue, a decoração é de época e não há um mínimo sinal de extravagância. Nem sequer de modernidade.

Foi assim que foi deixado o quarto de Mário Quintana, na Casa de Cultura (ex-Hotel majestic), em Porto Alegre.

O poeta morreu há 6 anos mas a sua presença é sentida naquele quarto, mesmo que não lhe sintamos o cheiro e apenas a imaginação nos permita passar para lá do vidro que nos separa do ambiente em que viveu o escritor, que não faz parte da Academia de Letras Brasileira, nos últimos anos da sua vida.