Do título

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"Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."
( Dom Casmurro, Machado de Assis, cap. 32 )

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dona Florinda, a maior psicóloga que já existiu

O melhor conselho de todos os tempos, e que eu não segui, óbvio, não veio de pai, mãe, amigos, etc. Veio do seriado Chaves. Isso mesmo. Quando eu era criança, adorava ver Chaves e Chapolin, e até hoje adoro, inclusive porque é a única coisa que eu posso comentar com meus alunos sem me sentir ultrapassada, afinal, eles viram os mesmos episódios que eu, e olha o que a diferença é de mais ou menos 18 anos (não façam as contas, por favor).

Em praticamente todos os episódios a Dona Florinda dizia: “Não se misture com essa gentalha.” Simples. Imagine quanto tempo e dinheiro economizados em análise se nós seguíssemos esse conselho? Ah, mas no começo não dá pra saber que é gentalha, você vai dizer. Bom, no meu caso dá. Sempre deu. E eu insisto, mesmo assim. Eu me misturo não porque eu não sabia, eu permito, eu estendo o tapete vermelho pra gentalha passar. Mea culpa.

Mas por quê? Por que nós (no plural, pra eu não achar que sou a única) fazemos isso? Nem vem, eu perguntei primeiro. Se alguém descobrir, me conte, por favor. Talvez nem assim eu pare de fazer. Mas ao menos eu vou ficar sabendo.