Do título

Do título

"Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."
( Dom Casmurro, Machado de Assis, cap. 32 )

sábado, 11 de dezembro de 2010

Vergonha alheia

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a3139404.xml

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Charlie Brown feelings

Tô brava! Tô brava com todo mundo! Tô brava com quem me trata feito lixo. Tô brava com quem não valoriza os outros. Tô brava com a cara de pau das pessoas. Tô brava com a falta de respeito e a grosseria delas. Tô brava com a falta de comprometimento da maioria. Tô brava com a falta de noção que impera no mundo. Tô brava com a burrice e com a mediocridade que reinam. Tô brava com a natureza, com os politicamente corretos, com os "espiritualizados", com o Papai Noel e com o Coelhinho da Páscoa. Tô brava com quem acelera quando vê o sinal fechar, com quem me dá chiclete de troco sem perguntar, com quem se atrasa sempre e acha normal, com aluno que pergunta: "Como eu vou ser reprovado, se eu paguei?????" Tô brava com a hipocrisia e com quem me critica por usar descartáveis e liga 1254 luzinhas em volta da casa a noite toda. Tô brava com a nova bactéria descoberta pela NASA. Tô brava com a NASA. Tô brava com quem não sabe fazer conta. Tô brava com todo mundo no mundo todo!!! E principalmente com a droga das cordas de pular!!!!

domingo, 3 de outubro de 2010

Variações sobre um mesmo tema

"Viver é simplesmente a arte do conviver. Simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!" Mário Quintana.

"Gente é uma merda!"
Fal Azevedo

Gentalha, gentalhaaa!!!
Kiko

Todos cobertos de razão.

domingo, 15 de agosto de 2010

Assino embaixo

Atualizando a leitura de ZH, me deparo com uma coluna da Martha Medeiros (não, não sou fã, mas aqui abro uma exceção) com a qual concordo plenamente.

A elegância do conteúdo

"De ferramentas tecnológicas, qualquer um pode dispor, mas a cereja do bolo chama-se conteúdo. É o que todos buscam freneticamente: vossa majestade, o conteúdo.

Mas onde ele se esconde?

Dentro das pessoas. De algumas delas.

Fico me perguntando como é que vai ser daqui a um tempo, caso não se mantenha o já parco vínculo familiar com a literatura, caso não se dê mais valor a uma educação cultural, caso todos sigam se comunicando com abreviaturas e sem conseguir concluir um raciocínio. De geração para geração, diminui-se o acesso ao conhecimento histórico, artístico e filosófico. A overdose de informação faz parecer que sabemos tudo, o que é uma ilusão, sabemos muito pouco, e nossos filhos saberão menos ainda. Quem irá optar por ser professor não tendo local decente para trabalhar, nem salário condizente com o ofício, nem respeito suficiente por parte dos alunos? Os minimamente qualificados irão ganhar a vida de outra forma que não numa sala de aula. E sem uma orientação pedagógica de nível e sem informação de categoria, que realmente embase a formação de um ser humano, só o que restará é a vulgaridade e a superficialidade, que já reinam, aliás.

Sei que é uma visão catastrofista e que sempre haverá uma elite intelectual, mas o que deveríamos buscar é justamente a ampliação dessa elite para uma maioria intelectual. A palavra assusta, mas entenda-se como intelectual a atividade pensante, apenas isso, sem rebuscamento.

O fato é que nos tornamos uma sociedade muito irresponsável, que está falhando na transmissão de elegância. Pensar é elegante, ter conhecimento é elegante, ler é elegante, e essa elegância deveria estar ao alcance de qualquer pessoa. Outro dia conversava com um taxista que tinha uma ideia muito clara dos problemas do país, e que falava sobre isso num português correto e sem se valer de palavrões ou comentários grosseiros, e sim com argumentos e com tranquilidade, sem querer convencer a mim nem a ninguém sobre o que pensava, apenas estava dando sua opinião de forma cordial. Um sujeito educado, que dirigia de forma igualmente educada. Morri e reencarnei na Suíça, pensei.

Isso me fez lembrar de um livro excelente chamado A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, que conta a história de uma zeladora de um prédio sofisticado de Paris. Ela, com sua aparência tosca e exercendo um trabalho depreciado, era mais inteligente e culta do que a maioria esnobe que morava no edifício a que servia. Mas, como temia perder o emprego caso demonstrasse sua erudição, oferecia aos patrões a ignorância que esperavam dela, inclusive falando errado de propósito, para que todos os inquilinos ficassem tranquilos - cada um no seu papel.

A personagem não só tinha uma mente elegante, como possuía também a elegância de não humilhar seus "superiores", que nada mais eram do que medíocres com dinheiro.

A economia do Brasil vai bem, dizem. Mas pouco valerá se formos uma nação de medíocres com dinheiro."

Martha Medeiros, em ZH

sábado, 14 de agosto de 2010

Redação

A gentalha

A gentalha pega ônibus com mochilas que, pelo tamanho, trazem no seu interior todo o patrimônio da gentalha e ficam no corredor do ônibus obstruindo a passagem até de um fio de cabelo. É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que passar num corredor onde tenha um representante da gentalha com sua mochila.

A gentalha usa casacos que fariam um esquimó no Polo Norte se abanar de tanto calor e com capuzes do tamanho da África Meridional, sendo que a temperatura é de 18 graus, ou seja, verão. Os casacos da gentalha são tão grandes que fazem com que a gentalha ocupe mais espaço ainda.

A gentalha, embora esteja num ônibus onde não há oxigênio suficiente nem para a metade das pessoas contidas ali, quente e abafado no último grau, quase se mata para conseguir fechar TO-DA e qualquer janela ou passagem de ar possível, tornando respirar uma utopia.

A gentalha usa casacos sujos e com um suave aroma que é um mix de cheiro de guardado, suor e sujeira, que fica ainda mais evidente, visto que fecharam TO-DAS as janelas.

Quando se pega um ônibus com a gentalha, Murphy, aquele fanfarrão, sempre vigilante, faz a bateria do seu mp3 acabar logo que você adentra o recinto, fazendo que, horror dos horrores, você também tenha que ouvir a conversa da gentalha.

A gentalha se dá conta que tem descer dois segundos antes do ônibus parar e ainda está lááááá na frente, o que significa que vão passar correndo como um furacão, com suas mochilas e casacos, levando o resto de dignidade que ainda resta a você.

Portanto, mesmo que esteja chovendo canivetes abertos, que você não tenha guarda-chuva, esteja usando salto 15 e não saiba nadar, enfrente a chuva, pois, embora você não deva fazer isto em lugar algum do planeta, um ônibus é, definitivamente, o pior lugar do mundo para se misturar com a gentalha.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Como ser Poliana, em dez lições. Lição número 1

Seu vizinho acorda ouvindo Celine Dion no volume máximo. Pense: Pelos menos hoje não é Milionário e José Rico.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O crack nem pensar levado a sério.

Chego do trabalho, abro a caixa de correspondência e encontro um panfleto dizendo o seguinte.

" Sábado - 08 de maio - 16h
Nos arcos da Redenção

Marcha da Maconha

Usuário, saia do armário!
(mas não leve drogas, leve ideias)

Organização: princípio ativo.org

em caso de chuva forte será transferido para 15/05."

Em tempos de crack nem pensar, eis que surge uma alternativa. Surreal.

sábado, 3 de abril de 2010

sexta-feira, 26 de março de 2010

Pequena canção para uma cidade muito amada

"Porto Alegre não é a minha cidade. Porto Alegre é a minha vida."

Moacyr Scliar. E eu. Quem falou primeiro eu não sei.



Aniversário de Porto Alegre. 238 anos. Uma guria. E como bem disse o Quintana, antes ela era apenas uma grande cidade pequena. Agora, é uma pequena cidade grande. "Os céus de Porto Alegre, como farei para levá-los ao céu?" "Sinto uma dor infinita das ruas de Porto Alegre onde jamais passarei." Quintana não foi o único a adotar a cidade. Há muitos e muitos porto-alegrenses por opção e coração, nos quais eu me incluo, que cantam o seu amor a esta cidade. Porto Alegre, o meu canto no mundo.

sábado, 20 de março de 2010

Fatos II

"Na minha infância, os ladrões arrancavam bolsas, hoje podem receber em casa, desde que mantenham seus comparsas matriculados na escola."

Fabrício Carpinejar

sexta-feira, 19 de março de 2010

Fatos

E, então, a pessoa não aguenta mais ver tv e ter que suportar as propagandas com a Cláudia Leite, as propagandas de creme dental (e os malditos canalículos), a Deborah Secco fazendo voz de atendente de telessexo e ensinando técnicas de sedução, as propagandas de... bem, todas as propagandas; filmes inéditos como Lenda Urbana e American Pie, e achando que vai quebrar a tv se ouvir mais uma vez "sabe o que eu tava pensaaaaanndoooo?", resolve ligar o rádio. Musiquinhas antigas e tals, hora do comercial e.... onde estão meus cd's do Chico, hein?????

sábado, 13 de março de 2010



Depois de tropeçar, derrubar o barrete, errar o caminho e etc., acabou.
Finalmente, graduada.

Stadinervos

É hoje!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dona Florinda, a maior psicóloga que já existiu

O melhor conselho de todos os tempos, e que eu não segui, óbvio, não veio de pai, mãe, amigos, etc. Veio do seriado Chaves. Isso mesmo. Quando eu era criança, adorava ver Chaves e Chapolin, e até hoje adoro, inclusive porque é a única coisa que eu posso comentar com meus alunos sem me sentir ultrapassada, afinal, eles viram os mesmos episódios que eu, e olha o que a diferença é de mais ou menos 18 anos (não façam as contas, por favor).

Em praticamente todos os episódios a Dona Florinda dizia: “Não se misture com essa gentalha.” Simples. Imagine quanto tempo e dinheiro economizados em análise se nós seguíssemos esse conselho? Ah, mas no começo não dá pra saber que é gentalha, você vai dizer. Bom, no meu caso dá. Sempre deu. E eu insisto, mesmo assim. Eu me misturo não porque eu não sabia, eu permito, eu estendo o tapete vermelho pra gentalha passar. Mea culpa.

Mas por quê? Por que nós (no plural, pra eu não achar que sou a única) fazemos isso? Nem vem, eu perguntei primeiro. Se alguém descobrir, me conte, por favor. Talvez nem assim eu pare de fazer. Mas ao menos eu vou ficar sabendo.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Enquanto isso, numa sala de aula perto de você...

- Sora, depois que eu acabar a prova, posso ir embora?
- Não, vou passar matéria depois.
Prova corrigida, nota 9.
- Parabéns, Fulaninha, nota 9, muito bem!
- Ah, sora, lembra que a senhora me disse que acabando a prova eu não ia poder ir embora?
- Sim, lembro.
- Então, já que eu não ia poder sair mesmo, eu resolvi pensar.

***

- Então, pessoal, considerando isso, o que é o fato gerador?
- É o fato que gera.

***

- Ah, gente, pra mim também ficou ruim essa mudança de horário, eu tentei argumentar, mas não aceitaram.
- Nunca ouvem nada que a senhora fala, né, sora?

***

Preenchendo um formulário:
- Sora, o que é conjúgue???

- Sora, o que é cédula de identidade?

- Sora, o que vai em UF?

- Sora, e município???

- Fulano, por que tu não preencheste "grau de instrução"?
- Porque eu não sei o que é, sora.

- Sora, o que é aliquóta?

***

- Então, pessoal, o que significa hierarquia?
- É quando passa de pai pra filho, sora.

***

- Mas não tem que multiplicar, sora?
- Nesse caso não precisa, porque a divisão deu 1, quanto é 18 x 1?
- .........
- Fulano, 18 x UUUUMMMM.
- ...........
- Fulano, pelo amor de deus.
- Ah, sora, tá muito cedo.

***

- Então, é só somar um terço.
- Como assim, um terço, sora?
- Um terço, quanto é um terço?
- ........
- Como eu acho um terço, pessoal????????
- Ah, sora, isso é muito difícil.

***

- Então, pessoal, se a taxa está ao bimestre, é só converter pra meses. Quantos meses tem um bimestre?
- ..........
- Quantos meses tem um bimestre, pessoal??????
- ..........
- Pessoal, por favor, um BImestre????
- Seis??

***

Revelando amigo secreto, o aluno que me tirou:
- A minha amiga secreta é.... velha.

***

Sim, tudo isso é verdade. Eu sei que é difícil de acreditar, quase impossível, mas é verdade. Pode trazer o manuscrito do Dom Casmurro que eu juro com a mão sobre ele.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Enquanto isso, no plantão da madrugada...

O homem bi-centenário, pela enésima vez. E eu vendo de novo, as usual.

"- Não se pode ter tudo, ou o correto é se pode ter tudo; é que alguns têm, então isso me deixa muito confuso."

"- É cruel que você possa chorar e eu não."

"- Quando alguém se torna humano, é natural que faça algo incrivelmente estúpido."