Do título

Do título

"Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."
( Dom Casmurro, Machado de Assis, cap. 32 )

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Poliana


"...é personagem de um livro, um "livro para moças", uma menina de 11 anos, fia de pai missionário, fica orfã e vai morar com a tia rica e má (todo rico é mau, isa, caso vc inda nao tenha percebido). vai daí que, cercada de luxos e tristeza, a menina joga o maldito "jogo do contente", que consiste em procurar até encontrar alguma coisa boa em qrr trem que acontece. é um livro do comecinho do sec XX escrito, portanto, por alguém (uma mulher, blablala Porter) com mente do sec 19. Assim, há saudades do campo, dos bons tempos que nao voltam mais, um certo pasmo diante desse mundo novo, mais veloz, mais perigoso e menos.... gentil (hahahaha, como se o mundo alguma vez tivesse sido gentil, as pessoas sao burras demais)."

Fal, por e-mail. Melhor resenha de todas, ever.

domingo, 27 de dezembro de 2009

This is the End


De todas as decepções que eu já tive na vida, o House com essa camiseta do smile foi a pior, não resta dúvida.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Do porquê eu amo esse homem II

— E a religião acaba de matar mais um...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Do porquê eu amo esse homem I

A decepção é a raiva dos fracos...

House de hoje.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Amém, irmãos

Ela voltou, e eu tive que roubar um pedaço porque tá sensacional!!!!!

"Como dizia John Ritter numa comédia do Blake Edwards que eu vi faz tempo e adoro até hoje (é, eu também já vi décadas – nah, séculos - melhores, em tooodos os sentidos), às vezes eu até acho que Deus existe, sim, e é humorista. O que o John não disse, mas eu digo, é que caso exista mesmo, o grande palhaço no céu pertence ao meu tipo preferido de comediante : discreto, de humor negro, sardônico e auto-depreciativo. Ou seja, como quer a bíblia e bilhões de doidos no mundo inteiro, ele só pode ser judeu. Shalom, Adonai. Por via das dúvidas." Do blog da Cíntia.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Cartinha para o Papai Noel

ou
a pessoa está com insônia e sem conseguir se concentrar pra trabalhar


Querido Papai Noel,

Resolvi escrever esta cartinha para dizer que este ano eu mereço ganhar um presente de natal porque meu comportamento foi exemplar: eu entrei no amigo secreto da firrrma, comi todos os legumes, não mandei as pessoas que me disseram para ver o lado bom das coisas, que tem gente muito pior do que eu e que me mandaram ler O Segredo tomarem no cu, fui a todas as reuniões, reciclei o lixo, fui fazer compras com minha sacola ecológica, visitei parentes, disse poucos palavrões por causa da minha conexão lenta, dos programas que travam 1284 vezes por dia, dos 15 aparelhos que queimaram em sequência aqui em casa e dos e-mails com títulos como "muito lindo", "emocionante" e "repasse, por favor", sempre com um anexo em power-point que me deram muito trabalho pra excluir ( sem ler, obviamente, eu quero um presente, não o nobel da paz ), usei filtro solar ( o senhor viu que fizeram uns testes e a maioria não funciona? Não? ), pedi nota fiscal, cumprimentei os vizinhos, comprei rifa, ufa... Acho que tá bom, né, Papai Noel? O presente?
Então, será que levando tudo isso em consideração o senhor poderia, por favor, fazer o pub aqui da frente abrir falência?

Sem mais para o momento, subscrevo-me,

silvana.sifu_trabalhando@fulltime.com.br

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Solidão é...

Apertar a pasta de dente no meio e brigar com você mesmo.

THE WINNER TAKES IT ALL, the loser standing small


Daqui

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

É até covardia...



A sexta temporada de House começa a ser exibida aqui no Brasil dia 22 de outubro. Ontem li isto no blog do Universal Channel:
"Nos Estados Unidos, a série estreou nesta segunda-feira (21) e foi recorde de audiência. 16,5 milhões de espectadores assistiram às novas aventuras do médico ranzinza. A audiência de House ficou na frente até do presidente americano, Barack Obama, que estava sendo entrevistado na mesma hora pelo programa “Late Show de David Letterman”.

Desculpa aí, ô Obama, mas vossa presidência ( como se deve chamar este homem, senhor? ) mas tu tem que tomar muito Vicodin ainda pra competir com o Greg. Sorry, baby.

Deu no New York Times ( mentira, foi na Zero Hora mesmo )

"A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou os vencedores da 51ª edição do Prêmio Jabuti nesta terça-feira. O porto-alegrense Moacyr Scliar foi o primeiro colocado na categoria "Romance" com Manual da paixão solitária. Na categoria "Contos e Crônicas" o primeiro lugar ficou com o poeta nascido em Caxias do Sul, Fabricio Carpinejar, com o livro "Canalha! - crônicas".

E os dois mais do que merecem. RS rules no Prêmio Jabuti.

domingo, 27 de setembro de 2009

Enquanto isso, pelas gôndolas...


Então que a pessoa em mais uma de suas incursões pelo super se depara com uma barra de cereal sabor "Sinfonia de Nozes". Bonito.

Na sessão de higiene e limpeza, um esmalte com a cor "Possesão Rosa". Medo.
Aí a pessoa segue imaginando: quem inventou esses nomes estava sob o efeito de que substâncias? O que tem de errado com o sabor...hum...nozes? Eu até procurei o "orquestra de morangos", o "concerto de maracujás" ou ainda "castanhas à capela" mas não tinha, então, será que eu não podia vender essas ideias pra empresa que fabrica as barrinhas? E eu juro que pra pensar nesses nomes eu não tomei nada além do chimarrão de todo dia. Tudo bem que tons de rosa existem vários e a coleção é inspirada nos sete pecados capitais, mas...possesão é pecado? Capital? Eu sou do tempo em que não havia toda essa variedade de cores, sabores, marcas, que me deixam tonta na hora de escolher qualquer coisa, era tão fácil ir comprar wafer, por exemplo, tinha o mirabel e ... tinha algum outro? E iogurte era danone e chambourcy ( escreve assim? ). Ah, Sil, mas é muito melhor hoje, que existem muuuito mais opções pra gente escolher, dirão vocês. Beleza, nada contra, eu só queria saber como faz pra conseguir uma vaga pra criar esses nomes, porque se pode viajar desse jeito eu tenho várias ideias. E de cara limpa.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vida Besta



Daqui

Solidão é...

Olhar para o celular e se dar conta de que nunca pagou tão caro por um despertador...

A vida é um Jogo

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dos conceitos

Defina uma pessoa que coloca brincos combinando com a cor da roupa para ficar em casa ( lavando louça, preparando aula, etc. ).

domingo, 20 de setembro de 2009

As usual

Nunca digas

Encontrei isto em um blog que não foi mais atualizado e, pelo visto, ela também não sabe a autoria mas eu faço minhas as palavras. Fez um ano dia 12. E a dor só se fortalece.


"Li isto algures e faço minhas as palavras de alguém com quem partilho a mesma dor.

Quando estiver a tentar ajudar uma mulher que perdeu um bébe, não ofereça a sua opinião pessoal sobre a sua vida, as suas escolhas, os seus projectos para os seus filhos. Nenhuma mulher nesta situação está à procura de opiniões (de leigos) sobre, por Nunca digasque é que isto aconteceu ou como ela deveria ter-se comportado.

Não digas: É a vontade de Deus. Por favor não deduza o que Deus quer para mim.

Não digas: Foi melhor assim, havia alguma coisa estava errada com o bébe. O facto de haver alguma coisa errada com o bébe, é que me faz tão triste. O meu pobre bébe não teve hipótese. Por favor, não me conforte destacando isso.

Não digas: Podes ter outro. Este bébe nunca foi descartável. Se tivesse a escolha entre perder esta criança ou furar um olho com um garfo, eu teria dito: Onde está o garfo? Eu morreria por esta criança, assim como você morreria pelo seu filho.

Não digas: Agradeça a Deus pelo (s) filho (s) que tem. Se a sua mãe morresse num terrível acidente e você estivesse triste, a sua tristeza seria menor porque você tem seu pai?

Não digas: Agradeça a Deus porque perdeste o teu filho antes de amá-lo realmente. Eu amava o meu filho ou a minha filha. Ainda que eu tenha perdido o meu bébe, depois de duas semanas de gravidez ou quando nasceu, Eu amava-o.

Não digas: Já não é hora de deixar isto para trás e seguir em frente? Esta situação não é algo que me agrada. Eu queria que nunca tivesse acontecido. Mas aconteceu e faz parte de mim para sempre.


Não digas:Agora tens um anjo para cuidar de ti. Eu não queria que o meu bébe fosse o meu anjo. Eu queria que ele vivesse muito.

Não digas: Eu entendo como te sentes. A menos que tenhas perdido um bébe, realmente não sabes como eu me sinto.


Não me contes histórias terríveis sobre a tua vizinha, prima ou mãe que teve um caso pior. A última coisa que preciso ouvir agora é que isto pode acontecer seis vezes ou coisas assim. Estas histórias assustam-me e pioram as minhas noites de insónia. Mesmo que tenham tido um final feliz, não as compartilhe comigo.


Não finja que nada aconteceu e não mude de assunto quando eu falar sobre o ocorrido. Se eu disser "Antes do bébe morrer... ou Quando eu estava grávida...não se assuste. Se eu falar sobre o assunto, isso significa que quero falar. Deixe-me falar. Fingir que nada aconteceu só me vai fazer sentir incrivelmente sozinha.



Não digas: Bem, não estavas tão certa se querias ter este bébe... Eu já me sinto muito culpada sobre reclamar sobre os maus estares matinais ou que eu não me sentia preparada para esta gravidez ou coisas assim. Eu já temo que este bébe morreu porque eu não tomei as vitaminas, ou bebi muito café, ou tomei bebidas alcoólicas nas primeiras semanas, quando eu não sabia que estava grávida. Eu odeio-me por cada minuto que tenha limitado deste bébe. Sentir-se insegura sobre uma gravidez não é a mesma coisa que querer que o meu bébe morra, eu nunca teria feito esta escolha.

Diz: Eu sinto muito. É o suficiente. Não precisas ser eloquente. As palavras dizem por si.

Diz: Vocês vão ser pais maravilhosos um dia ou Vocês são os pais mais maravilhosos e este bébe teve sorte em tê-los. Nós dois precisamos disso.


Se és o meu chefe ou o meu companheiro de trabalho: Reconhece que eu sofri uma morte na minha família, não é simplesmente uma licença médica. Reconhece que além dos efeitos colaterais físicos, eu vou estar triste e angustiada por algum tempo. Por favor, trata-me como tratarias uma pessoa que viveu a morte trágica de alguém que amava. .


Acima de tudo, por favor lembra-te que isto é a pior coisa que já me aconteceu. A palavra aborto é pequena e fácil. Mas a morte do meu bébe é única e terrível. Vai levar um tempo até que eu descubra como conviver com isto."

Querência Amada



"Quem quiser saber quem sou
Olha para o céu azul
E grita junto comigo
Viva o Rio grande do Sul"

( Teixeirinha - Querência Amada )

Em 20 de setembro de 1835 era proclamada a República Riograndense. Embora tenha servido aos interesses dos poderosos da época e devastado e empobrecido o Estado, a Guerra dos Farrapos, que durou longos dez anos, é um marco na nossa história. Mas o importante a lembrar no dia de hoje é a bravura de um povo que "não se entrega assim no más." E, além da valentia, nosso amor e lealdade por esta terra, porque como diz o hino:
"mas não basta pra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo
povo que não tem virtude
acaba por ser escravo."

O curioso sobre o hino é que foi composto pelos inimigos. Em uma das batalhas foram capturados soldados e músicos da banda imperial, que foram obrigados a compor um hino para a Revolução. O hino que até hoje nos comove muito mais do que o Hino Nacional.
Transcrevo a poesia abaixo, que fala sobre este amor, sobre a nossa identidade. E que "sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra."

Eis o Homem
( Marco Aurélio Campos )


Brotei do ventre da Pampa
que é Pátria na minha Terra.
Sou resumo de uma guerra
que ainda tem importância.

E, diante de tal circunstância,
Segui os clarins farroupilhas
E devorando coxilhas,
Me transformei em distância.
Sou do tipo que numa estrada
Só existe quando está só.
Sou muito de barro e pó.
Sou tapera, fui morada.
Sou a velha cruz falquejada
Num cerne de curunilha.
Sou raiz, sol farroupilha,
Renascendo estas manhãs,
Sou o grito dos tahas
Coejando sobre as coxilhas.

Caminho como quem anda
Na direção de si mesmo.
E de tanto andar a esmo,
Fui de uma a outra banda,
E se a inspiração me comanda,
Da trilha logo me afasto
E até sementes de pasto
Replanto pelas vermelhas
Estradas velhas parelhas,
Ao repisar no meu rastro.

Sou a alma cheia e tão longa,
Como os caminhos que voltam
Substituindo os espinhos
E a perda de alguns carinhos.
Velhos e antigos afrontes,
Surgiram muitos, aos montes,
Nesta minha vida aragana,
Destas andanças veterana,
De ir descampando horizontes.

Sou a briga de touros
No gineceu do rodeio.
Improtério em tombo feio,
Quando o índio cai de estouro.
Sou o ruído que o couro faz,
Ao roçar no capim.
Sou o rin-tim-tim da espora
Em aço templado.
E trago o silêncio guardado,
Do pago dentro de mim.

Fazendo vez de oratório,
Sou cacimba destampada,
De boca aberta, calada,
Como a espera do ofertório.
Como vigia em velório,
Que tem um jeito que é tão seu.
Tem muito de terra... é céu,
Que a gente sente ajoelhando,
De mãos postas levantando
O pago inteiro para Deus.

Sou o sono do cusco amigo,
Dormindo sobre o borralho.
Sou vozerio do trabalho,
Na guerra ou na paz - sou perigo.
Sou lápide de jazigo
Perdido nalgum potreiro.
Sou manha de caborteiro,
Sou voz rouca de acordeona,
Cantando triste e chorona,
Um canto chão brasileiro.

Sou a graxa da picanha
Na bexiga enfumaçada,
Sou cebo de rinhonada.
Me garantindo a façanha.
Sou voz de campanha,
Que nos lançantes se some.
Sou boi-ta-tá - lobisomem.
Sou a santa ignorância.
Sou o índio sem infância,
Que sem querer ficou homem.

Sou Sepé Tiarajú,
Rio Uruguai, rio-mar azul,
Sou o cruzeiro do sul,
A luz guia do índio cru.
Sou galpão, charla, Sou chirú,
de magalhanicas viagens,
Andejei por mil paisagens,
Sem jamais sofrer sogaço.
Cresci juntando pedaços
De brasileiras coragens.

Sou enfim, o sabiá que canta,
Alegre, embora sozinho.
Sou gemido do moinho,
Num tom triste que encanta.
Sou pó que se levanta,
Sou raiz, sou sangue, sou verso.
Sou maior que a história grega.
Eu sou Gaúcho, e me chega
P'rá ser feliz no universo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

domingo, 15 de março de 2009

Em tempos de BBB, cultura de massa e blablabla...

A maior obra do Èrico Veríssimo ( não, não é O Tempo e o Vento ) é, definitivamente, o Luis Fernando. O DNA desse homem deveria ser estudado. Gênio.

O Povo

( Luis Fernando Veríssimo )


"Não posso deixar de concordar com tudo que dizem do povo. É uma posição impopular, eu sei, mas o que fazer? É a hora da verdade. O povo que me perdoe, mas ele merece tudo o que se tem dito dele. E muito mais.

As opiniões recentemente emitidas sobre ao povo até agora foram tolerantes. Disseram, por exemplo, que o povo se comporta mal em gre-nais. Disseram que o povo é corrupto. Por um natural escrúpulo, não quiseram ir mais longe. Pois eu não tenho escrúpulo.

O povo se comporta mal em toda parte, não apenas no futebol. O povo tem péssimas maneiras. O povo se veste mal. Não raro, cheira mal também. O povo faz xixi e cocô em escala industrial. Se não houvesse povo, não teríamos o problema ecológico. O povo não sabe comer. O povo tem um gosto deplorável. O povo é insensível. O povo é vulgar.

A chamada explosão demográfica é culpa exclusivamente do povo. O povo se reproduz numa proporção verdadeiramente suicida. O povo é promíscuo e sem-vergonha. A superpopulação nos grandes centros se deve ao povo. As lamentáveis favelas, que tanto prejudicam nossa paisagem urbana, foram inventadas pelo povo, que as mantém contra os preceitos da higiene e da estética.

Responda, sem meias palavras: haveria os problemas de trânsito se não fosse pelo povo? O povo é um estorvo.

É notória a incapacidade política do povo. O povo não sabe votar. Quando vota, invariavelmente vota em candidatos populares que, justamente por agradarem ao povo, não podem ser boa coisa.
O povo é pouco saudável. Há, sabidamente, 95 por cento mais cáries dentárias entre o povo. O índice de morte por má nutrição entre o povo é assustador. O povo não se cuida. Estão sempre sendo atropelados. Isto quando não se matam entre si. O banditismo campeia entre o povo. O povo é ladrão. O povo é viciado. O povo é doido. O povo é imprevisível. O povo é um perigo.

O povo não tem a mínima cultura. Muitos nem sabem ler ou escrever. O povo não viaja, não se interessa por boa música ou literatura, não vai a museus. O povo não gosta de trabalho criativo, prefere empregos ignóbeis e aviltantes. Isto quando trabalha, pois há os que preferem o ócio contemplativo, embaixo de pontes. Se não fosse o povo nossa economia funcionaria como uma máquina. Todo mundo seria mais feliz sem o povo. O povo é deprimente. O povo deveria ser eliminado."