Do título

Do título

"Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."
( Dom Casmurro, Machado de Assis, cap. 32 )

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Catarse

Então ele chega e tem um sorriso tão bonito. E ela fica torcendo pra que ele não seja tão doce. E tão inteligente e engraçado. Quem sabe se ele for mau com alguém, com ela principalmente. Ele não facilita. E ela tem raiva dele por alguns segundos. Porque ela não pode se apaixonar e ele não colabora. E ele não sabe, então continua sendo ele sem que ela possa impedir.

Enfim...

Levou mais de um ano, mas finalmente desisti. É muito, muito difícil, mas também é libertador. E não é só a verdade que dói, a liberdade também.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Então...

Então tem aquela historinha (chata) de "nunca desista", né?

Não adianta,
Não adianta nada ver a banda,
Tocando "A Banda" em frente da varanda,
Não adianta o mar,
E nem a sua dor.


Desista sim. Desista sempre que algo ou alguém provar que não vale a pena ir em frente.

Não adianta,
Não adianta o bonde, a esperança,
E nem voltar um dia a ser criança,
O sonho acabou,
E o que adiantou?


Saber a hora de bater em retirada é sinal de sabedoria. Tem coisa que não, não adianta o quanto você queira, o que você faça. Não vai dar.

Não tenho pressa,
Mas tenho um preço,
E todos tem um preço,
E tenho um canto,
Um velho endereço,
O resto é com vocês,
O resto não tem vez.


Quem já perdeu muito, quem já perdeu tudo, quem perdeu o mais importante às vezes fica com medo até das menores perdas.

O que importa,
É que já não me importa, o que importa,
É que ninguém bateu em minha porta,
É que ninguém morreu,
ninguém morreu por mim.


Desistir e deixar a ilusão ir embora é libertador. Não criar expectativas para não ter que cobrar do outro algo que só existia na sua cabeça.

Não quero nada,
Não deixo nada, que não tenho nada,
Só tenho o que me falta e o que me basta,
No mais é ficar só,
Eu quero ficar só.


Mas que dói, isso dói.

Não adianta,
Não adianta, que não adianta,
Não é preciso, que não é preciso,
Então pra que chorar?
Então pra que chorar?
Quem está no fogo, está pra se queimar,
Então pra que chorar?





sexta-feira, 3 de maio de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

Meu canto no mundo

Amanhã é aniversário de Porto Alegre. Estou tentando escolher um vídeo sobre a cidade mas não consigo decidir, são muitos. Uma música, outras tantas. Um poema, mas são igualmente um sem-fim! E então percebo que não há como definir o amor por esta cidade em uma só música, um só poema. Talvez nem todos consigam. Bem, dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras (clichês baratos: trabalhamos). Vou homenageá-la com uma imagem que me saltou aos olhos depois de um dia chuvoso e cinza, da janela do escritório, e que me fez perder a fala.



"Eu não sei por que, e acho que ninguém precisa explicar por que, Porto Alegre é o lugar que eu escolhi pra viver." (Da música Porto Alegre, do Nenhum de Nós)

"Oh, céus de Porto Alegre, como farei para levar-vos para o céu?" (Mário Quintana)

Parabéns, cidade dos meus versos, meu canto no mundo.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Flores no asfalto

O mundo todo acompanhou a tragédia em Santa Maria. A mídia sensacionalista se encarregou de fazer com que ninguém deixasse de ver as imagens. As fotos daqueles jovens, lindos, perfeitos, com a vida pela frente, chocaram e fizeram que muitos inclusive tomassem para si uma dor que não era sua. Ninguém ficou indiferente. Eu também não.
Semanas depois, por coincidência (nada é por acaso!, irão bradar os crédulos) na mesma cidade, a notícia de uma menina linda, de 3 anos, que vem desafiando um câncer, com a coragem e a garra que a grande maioria dos adultos não têm. Essa menina torce para um clube de futebol, identifica-se com um jogador, com um gesto dele que demonstra essa bravura.


E ela repete esse gesto, como quem desafia esse inimigo invisível. E sonha em conhecer o dono desse gesto, a quem passou a admirar como um ídolo. E ele, na primeira oportunidade, sem alardes, sem se aproveitar da situação pra aparecer, viaja quilômetros para visitar a sua "piratinha", como ela ficou conhecida.



Gabrieli, nossa piratinha, fez com que eu me emocionasse. Em meio aos escombros de uma tragédia ela vem e dá o seu recado:


Gabrieli Van Oudheusden Medeiros, piratinha querida, hoje eu vou dormir pensando em ti. Hoje tu me mostraste uma força e um destemor que eu gostaria muito de ter. Hoje tu te transformaste no meu exemplo. E tu és um só um bebê. Um lindo e perfeito bebê. Eu teria vergonha das minhas fraquezas se te encontrasse.


E Barcos, a quem eu já admirava como atleta, passo a admirar como um grande homem, e a ter orgulho de que vista a camisa do time pra o qual eu torço desde que tinha a idade da piratinha Gabrieli.

domingo, 10 de março de 2013

Porque eu também leio livrinhos bobos...

Ode à vista da janela da minha aula de álgebra 

Bancos de concreto aquecidos ao sol
Ao lado de mesas com tabuleiros de xadrez
E pichações deixadas por centenas
Antes de nós
Tinta spray Day-Glo:

Joanne ama Richie
Os punks é que mandam
Bichas e sapatas contra a energia nuclear
E Amber dá para todo mundo.

As folhas mortas e sacos plásticos se espalham
Ao vento vindo do parque
E homens de terno tentam cobrir com
Os últimos fios de cabelo
Suas carecas rosadas.
Carteiras de cigarros e chiclete mascado
Cobrem a calçada cinzenta.

E eu penso
De que importa o fato
De que uma equação não é linear se qualquer variável for
elevada a uma potência?
Todos vamos mesmo morrer.

(Trecho do livro O diário da princesa, de Meg Cabot)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Soneto de Separação
(Vinícius de Moraes)

De repente, do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente, da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.